quinta-feira, 8 de março de 2018

...E foi assim, amor à primeira leitura





O conheci tardiamente, por falhas minhas e por lacunas do processo educativo, acabei por tomar conhecimento de sua escrita lá pelos anos 2000,e de lá pra cá, sempre leio e releio, tamanha a afeição desenvolvida pelo talentoso Anton Tchekhov.


O primeiro conto que li dele foi a Aposta e lá me rendi ao seu encanto literário. Posso dizer que foi a amor à primeira leitura. A grande facilidade de desenvolver o enredo e elencar personagens em seus maiores conflitos, vai combinando com uma escrita reagente e humanista; o leitor fica ali, preso à trama, como se estivesse a observar tudo através de uma redoma de vidro.


Lá, em tempos idos da infância, lembro-me que meu primeiro contato com a leitura de um modo mais fecundo foi com Monteiro Lobato -  as travessuras da boneca Emília. Assim como na vida, vamos nos aprimorando e adaptando costumes e estilos na literatura; já tive minha fase de enamoramento por Drummond e Vinícius de Moraes;  além de cair de amores por Garcia Marques e Jorge Amado.Tudo tem lá sua fase e está fielmente alicerçado em momentos pessoais que vivemos; de uns dias para cá, foi seduzida, a palavra é esta mesma, seduzida por Lord Byron e seus escritos,onde as paixões e a rebeldia  ( com um toque de melancolia), para com a sociedade da época sinalizam textos provocativos, que se assemelham a um impulso famélico.

Voltando ao meu russo favorito, hoje peguei para reler a Obra de Arte , um dos meus preferidos, onde a engenhosidade da trama, é um dos trunfos deste enredo. Os contos de Tchekhov são miniaturas textuais de extraordinária força que arrastam o leitor para os confins da  alma  humana, onde a hipocrisia, a apatia, a ganância, o despojamento, o fracasso, a vaidade e um sarcasmo sutil fazem que seus textos sejam indeléveis.Tudo isto, misturado a um toque poético condensado fazendo com seus escritos sejam, de certa forma, viciantes.

Como todos autores, este não foge à regra, talvez seus textos não falem a todos da mesma forma, e este é  o "pulo do gato",  de um escritor, fazer com que sua  escrita seja inteligente e abragente em termos  imaginativos dando ao leitor esta opção: ame ou odeie, mas sinta a escrita.




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