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sábado, 25 de janeiro de 2025

O Cômodo

  Naquele aposento, a penumbra mapeia os cantos, e se vê um amontoado de coisas  e papéis. As paredes de um azul quase neutro, descascando com o tempo dá o aspecto de abandono. Cinzeiro sujo; garrafas vazias, numa tarde quente e vagarosa, um ventilador, não ventila. O ar  cheira a vermute e cigarro. Naquele local, uma cama mal arrumada, um par de sapatos muito usado no tapetinho de linho puído.  Na cama uma mala antiga e  desgastada, roupas jogadas com desdém sobre a cama. Alguém estava com pressa ou perdeu a pressa...O aspecto não é bom, seria um refúgio, um cativeiro? Um espelho na parede já manchado,  só traz a imagem do vazio. O guarda - roupas está com uma porta quebrada, mas amarrado com barbante, dentro dele, poucas peças e de gosto duvidoso. Na janela uma cortina verde esvoaça como a dizer que a vida ainda cisma em ali se manter. No silêncio do aposento, somente a respiração é ouvida.

  O cenário não agrada, projetamos no ambiente o desleixo, o desmazelo, o mal querer. Ali algo contamina e também inspira, como uma tela vista de cima, o cenário é menos letal. No olhar do observador o incômodo é subjetivo, para uns retroalimenta a degeneração humana; para outros a impressão destaca a vida martirizada e desventurosa , podendo ser carente e digno de piedade, e também  pode ser perturbador e agressivo. O olhar captura o cenário e a mente faz ilações e projeta, mas não explica e ainda deixa a dúvida. O cômodo continua enigmático e intacto.






Deus é bom sempre! 🙏



quinta-feira, 13 de abril de 2023

Caso



Estava envolto num caso

daqueles bem intricado, misterioso e que exige 

tempo e mais atenção.

Dedicado como era, assumiu tudo, deixou de lado tudo mais.

O divórcio, não foi por acaso.




segunda-feira, 18 de abril de 2022

Suíte 5

Já era avançado da hora, quando pessoas ouviram barulhos estranhos no aposento próximo. Susto e portas se abriram, cochichos e especulações no corredor. Fez necessária a presença de um funcionário, de onde ouviram barulho, agora silêncio. Batidas na porta sem respostas, assim foi urgente se abrir com a chave mestra.

No quarto tudo arrumado, na cama um corpo caído. Heitor não tinha sinais vitais, tudo fora rápido e repentino. Confirmada a morte, nada se sabia nada do individuo, somente que quando se hospedou fez exigências que fosse na suíte 5.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Apto 81

 


Era confidencial.
Ele sabia disso, e mesmo assim por anos a fio insistiu.
Depois de anos, desistiu daquele romance proibido
pegou todas as cartas e queimou
As mensagens e e-mails deletou, e também na agenda o numero,constantemente, discado apagou.
Fotografias insinuantes, outras de caras e bocas e amorosas, todas elas jogou no lixo

Tudo terminado! Fim de caso!

Saiu para espairecer e voltar a ser aquele homem despreocupado e dono do seu mundo
Bebeu, fumou, lembrou de cenas e, forçou o pensamento a se desviar.
Voltou de madrugada, e ao entrar em seu apartamento, teve uma sensação de estranhamento.
Não era o whisky, era algo alheio, que não fazia sentido.
Deu por si que no local faltava algo , o ambiente já não era o mesmo; anteriormente uma alcova, um esconderijo, agora sem vestígios dos arroubos e encontros, perdia sua identidade.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Mudança de estação

Ela não era outono, era mais uma primavera, aguardando lépida e faceira pelo bem vindo e caloroso verão.
Ele era inverno, não sabia vivenciar outra estação, era frio e soturno, sempre a se irritar com o clima festivo e qualquer animação.
Houve então, o encontro de ambos, ele fez um poema que eclipsou o coração da mulher primaveril.
Ela em seu mundo gélido adentrou e depois do lampejo inicial, viu que não gostou.
Num brevíssimo espaço de tempo, tudo mudou.
Ela descontente e ele sempre exigente, o clima entre eles se alterou.
Hoje ela é outono perene, sem o brilho vivificante da cor
Ele é inverno sem precedentes, daqueles que nunca sentiu calor.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Réplica

  RÉPLICA

USOU SEU DIREITO DE RÉPLICA, EMBORA NÃO SOUBESSE

DIREITO O QUE FALAVA.

O supersticioso



Final de sexta-feira 13, ele se dá por satisfeito, afinal, conseguiu  evitar tudo que dá azar.

Acordou cedo, mas na hora de se levantar, pôs o pé direito primeiro no chão,pra dá sorte o dia todo...

Tomou banho normalmente, depois usou sal grosso, colocou roupas de cor clara, nada Dark , somente azul ,branco e tons pastel. Ingeriu seu café da manhã e antes de sair de casa fez o sinal da cruz,se benzeu.Lembrou que o pingente em forma de figa estava no chaveiro , o apertou para dar sorte. E lá se foi ele, trabalhar o dia todo.

Na caminhada que fazia evitou escadas e todos os percalços que poderiam comprometer seu dia.Pisava com cuidado na calçada para evitar cair, vai que dá azar de ele escorregar.Animais não encontrou nenhum não, também se visse logo, atravessaria a rua e evitaria ao máximo, principalmente se fosse gato e ainda mais preto.

Por fim, terminou seu dia, ele em casa descansa, ouve música, sempre só, para ele melhor assim, eis que :
Toc! Toc! ouve-se duas batidas fortes na porta.

Ele pensa, quem será, não pediu pizza, é tarde para visitas, ninguém gosta de conversar com ele, quem poderia ser?

Fica apreensivo e pensativo, só tinha uma certeza!
Não era  a sorte...

domingo, 14 de outubro de 2018

Vidência


Placa na parede:



Prevejo o futuro, mas não aceito reclamações posteriores.

Interrupção

Olhou ao redor, cama, mesa, tudo simples, cores cinzas, nada de branco.Talvez melhor assim, quem sabe? O ambiente hospitalar a deixa com naúseas.
Se deitou e esperou, como recomendado.Ouvi barulho e viu na penumbra uma mulher, sem sorrisos e nem cautela, se aproximou e abriu suas pernas;constrangimento, não, incômodo, sim. Sentiu algo frio, metal adentrando sua pele,rasgando como papel.Suportou a dor, era passageira, era necessária.
De repente, sua visão ficou turva, seu corpo parecia mole e fraco, a mulher a olhava indiferente. Ela tentou  falar, mas sentia-se fraca, impotente, molhada e perdida.
A mulher saiu por onde entrou, sem dizer uma palavra.
Ela suspirou e pensou, a dor vai passar.
O sangue escorreu, seu corpo esmoreceu, e a mente vagava, tentou pegar a bolsa e ligar para alguém e dizer onde estava.Fez algumas tentativas, frustrantes,doía, sangrava. Se esticou mais um pouco,doeu mais, parou; pois seu braço não alcançava e numa tentativa mal sucedida, da mesa ela caiu.Lentamente agarrou a bolsa, pegou o celular.
Urgência!!!
Raiva. Desespero. Temor.
Sabia de fato que aquele era seu último ato.

Cair na estrada

Pegou sua mochila, juntou suas coisas, só o necessário. Precisava mudar, aquela situação era insustentável. Olhou ao redor, viu os móveis, o espelho, as cortinas desbotadas, tudo ali era só melancolia.

A casa não lhe pertence, ela não pertencia àquela casa.
Abriu a porta e saiu, sem olhar para trás, é agora ou nunca, pensou...

Não pode voltar atrás, não irá desistir, sua vida lhe pertence
.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Sentença



O poema foi condenado ao esquecimento.
Motivo: Marginalizou a musa e fez do poeta um bandido.
O amor não suportou e para sempre se calou.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Fulminante






       

                 Levou um susto com  o pedido de casamento. Morreu de amor.




sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Labrinto





Atravessou a rua, dobrou a esquina, desceu a ladeira, olhou o entroncamento, deu voltas. Encontrou o muro. O passado o encurralava.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Os imortais






Enveredou pela leitura dos clássicos; leu de tudo e a todos dedicava seu tempo integral. Se ocupava de Heidegger, Schopenhauer, Kant e Descartes.
Não dispunha de tempo para mais nada, nem ninguém...
Não sabia se era dia ou noite; se chovia ou fazia sol.
Pela vidraça, era possível vê-lo absorto em seus livros de filósofos e pensadores famosos.

Foi encontrado morto em cima de um livro, onde se lia-se uma citação de Thomas Hobbes - “ Primeiro viver,depois filosofar”.

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