sábado, 17 de fevereiro de 2018

Poética

Ouço uma toada e me aquieto, coração se acalma e fica em compasso de espera. Sinto as notas envolventes absorverem todo meu ser, isto é um estado de alma, é um fluir de inspiração, é ouvir o coração.

Nas palavras que fluem surgem imagens, sensações e muitas das minhas indefinições. Sou eu? Pode ser que sim, pode ser que não, a escrita revela e depois se apodera de todo o processo,talvez tente eu camuflar, enviesar, florear e assim tentar de alguma forma a mensagem fazer chegar. Muitas vezes saio vitoriosa, por outras frustrada; nas cirandas poéticas, nem sempre lê-se o imagético, deturpa-se o real, fantasia-se muito e vive-se pouco. Sente-se ali o gosto do mel em quimeras de papel, ou prova-se o fel.

Na arte de escrever descobre-se que há um "senhor", este, não delimita, nem habilita apenas assiste todo este carrilhão de letras e símbolos que vão ressoando ao longo do fecundo processo de criar. O dono é o tempo, a escrita é atemporal, mas eu não sou, não somos, e desta aventura poética, fica a imagem, o registro daquilo que foi, a intenção do que de fato é, sem riscos nem rabiscos, apenas as letras, soltas e talvez viciadas nas mãos daqueles que mal sabem o que sentem, e buscam nestas as interpretações de seus conteúdos latentes.

Introjeção! Projeção! Tudo pode ser  ali um mera ilusão.
Serei eu a menina do olhos de alguém, claro que sim, pois temos esta carência, e depositamos na poética toda nosso querer, ingênuos ou sagazes, blindamos o "eu" na lira, e lá somente lá, encontramos o que se diz, sem dizer; o que se deseja sem saber, o que se tem sem perceber. A sincronicidade vem disto, deste interagir sem entender o por quê, sem saber por qual vereda imaginária trafega a inspiração, por vezes, está ali mascarada, e não damos conta. Somos racionais, então imbuídos de tal mecanismo, usamos para fugir de tão estranha situação, fazemos o que somos condicionados a fazer.

Não sou poeta, sou uma aventureira num mundo imaginário, me desloco aqui e ali, saboreio o bucolismo, me entrego ao erotismo, deixo-me levar na alegria, sinto a tristeza, vivo a saudade, reflito sobre a humanidade, desejo a felicidade e proponho uma parceria sem ambiguidade. Sou apenas uma entusiasta e como tal, enlaço a mim o desejo de voejar, de imaginar e sempre acreditar na vida, no amor e em mim.

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