Vamos de Poesia

 





CONTO DE FADAS



Eu trago-te nas mãos o esquecimento

Das horas más que tens vivido, Amor!

E para as tuas chagas o unguento

Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos são ondas de Sorrento...

Trago no nome as letras de uma flor...

Foi dos meus olhos garços que um pintor

Tirou a luz para pintar o vento...

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,

O manto dos crepúsculos da tarde,

O sol que é d'oiro, a onda que palpita.

Dou-te comigo o mundo que Deus fez!

- Eu sou Aquela de quem tens saudade,

A Princesa do conto: “Era uma vez...”


Florbela Espanca, em "Charneca em Flor"



*  08/12/1894

+ 08/12/1930


Sua poesia é conhecida por um estilo peculiar, com forte teor emocional, onde o sofrimento, a solidão e o desencanto estão aliados ao desejo de ser feliz.

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