Um temporal desabou aqui
o dia escureceu e o céu chorou
gotas de chuva pesadas e frias
que encharcaram a poesia
As flores ficaram mergulhadas
em vastíssimas torrentes d'aguas
e o festeiro e serelelepe colibri
antevendo tudo, nem veio aqui
A situação ficou dramática
ventos ruidosos e desordeiros
deixaram tudo mais caótico
onde havia cantoria na praça
agora só lama e ninguem passa
Nas janelas a água desce sem tregua
goteiras nas casas,jardins enlameados
borboletas afugentadas pela chuva
pessoas assitem a tudo, com espanto
Choveu, choveu muito, choveu tanto
Há aqueles que ficam a questionar
os desígnios de Deus e a promessa
do mundo não acabar em água
Interpelar a matriz criadora
em pensamentos vãos e destoantes
só aumenta em nós o sofrimento
Depois que a chuva cessou
o dia ficou claro, os vestígios aparentes
lama e água, rios transbordando
muita coisa para arrumar e cuidar
pessoas de suas casas saindo
e a vida, como o dia, fluindo
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