segunda-feira, 24 de setembro de 2018
O que você quer quando crescer?
Curiosamente, hoje me vi fazendo esta pergunta para o meu filho, e olha que faz tempo que não vejo esta citação por aí. Creio que estes tempos de incertezas e numa acirrada velocidade tecnológica deixa esta questão um pouco fora de contexto, pois como planejar algo para um futuro, que está na ponta dos dedos, em um segundo tudo ali instantâneo e sem muito esforço. Planejar passou a ser algo mais distante de nossa realidade.
Sou uma passadista, já confessei isto, e neste embalo lembro da minha infância, em tempos idos, quando perguntavam o que eu queria ser, e a resposta ficava entre as profissões da moda na época e tradicionais, no meu caso; aeromoça e professora. Para encurtar a conversa, sobre a primeira opção esta foi literalmente pelos ares, pois a atual comissária de bordo, antigamente aeromoça, tinha que ter uma altura mínima para o cargo pretendido, diante desta impossibilidade, devido a minha baixa estatura, nem me edifiquei ilusões neste ramo aeroespacial. Sei que hoje, as coisas mudaram muito e as comissárias de bordo podem ser altas, baixas, gordas ou magras, enfim as profissões se adaptam ao mecanismo de justaposição dos valores e conceitos sócio-culturais.
Sobre o magistério, nem preciso me alongar para explicitar que as crianças em seus dias de birra e todo aquele alvoroço em sala de aula, me fizeram ver que embora eu seja uma pessoa que saiba ensinar, não sei domar, então, depois de finalizado o estágio, peguei meu certificado e nada fiz na educação, ainda bem, pois seria uma professora desmotivada e nada do que eu idealizava se concretizaria em sala de aula, enfim, educação não me fisgou mesmo.
Vejo que hoje nas sociedade hi-tech e muito veloz, perguntar para uma criança o que ela quer ser, pode ser até injusto e cruel, pois muda-se tanto e na mesma velocidade da luz, e aquele que diz querer ser bombeiro, depois quer ser médico, advogado ou pintor, nada muito efetivo e focado num futuro, que em casos levará mais e uma década.
Este modelo funcional de sociedade nos dá muitas opções de começar e desistir do curso, investir em outro, pedir financiamentos e créditos educacionais para pesquisas e outros cursos, e nesta seara, pode-se experimentar um pouco de tudo ou não fazer nada, visto o turbilhão de opções à mostra.
O futuro é tolhido no presente, porém em virtude da pressa e da pouca profundidade a cada tema ou disciplina, vemos que privilegia- se o hoje, como mote de viva construa o amanhã agora, e neste afã, a turminha da geração Y estão a todo vapor, sem muito projeção futura, haja vista, ser uma característica desta geração a ansiedade e a indefinição.
Então, não obtive uma resposta a minha pergunta como em tempos idos, com aquela empolgação que saltava aos olhos a falar de profissão e futuro, e sendo assim, melhor deixar o tempo ditar os caminhos e esperar ver para que lado as aspirações sopram, pois agora as rotas mudaram e a pergunta fica meio distante do objetivo pretendido.
Que venha o futuro!
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