terça-feira, 13 de março de 2018

Voláteis, instáveis e mutáveis... afetos contemporâneos





Sentir afetividade implica direcionar a alguém ou um objeto, uma força emotiva, que lhe garanta um significado mais elaborado em nosso processo emotivo-sensorial.

A afetividade causa medo, pois ao investir o outro de afeto, este sente-se acuado e recua, em prol de uma individualidade mascarada, no self, que nada mais é que o medo de aceitar o compartilhamento.

Em tempos atuais, dinâmicos e atomistas, dar afeto pode se assemelhar a um aprisionamento, por isso, tanta esquiva e reticência nas relações afetivas contemporâneas (amigos, namorados, amantes e todas e quaisquer relações humanas), cada vez se tornam voláteis e instáveis. Uma certa blindagem se faz necessária para manter o sujeito impassível e longe do alcance de dúvidas, coisas que no mundo atual não é visto com bons olhos; uma pessoa mais fragilizada num mundo impessoal e mais fútil nas inter-relações pessoais, sempre será vista com descrédito.

Ser psicologicamente forte, não implica resistir ao afeto, apenas dá-se o oposto, traduz uma nuance da personalidade capaz de lidar seus múltiplos afetos de maneira mais natural e equilibrada.

Lidar bem com afetos e a aceitação das fragilidades do eu, caminham numa mesma via, embora em muitos indivíduos estes teimem em trafegar na contra-mão.







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